<< 1 2 3 4 >>

Pintor Carlos Botelho Em 1953 o SNI escolheu, de entre os cerca de trezentos artistas que se calcula não estivessem afectos ao Salazarismo, um grupo de 35 pintores e escultores que representariam o País no sector das artes plásticas: Bentes, Francis Smith, Amadeu de Sousa Cardoso, Santa Rita, Dórdio Gomes, Sara Afonso, Carlos Botelho, Mário Eloy, Júlio, António Pedro, Augusto Gomes, Estrela Faria, João Hogan, José Júlio, Júlio Resende, Sá Nogueira, Fernando de Azevedo, Fernando Lanhas, Jorge de Oliveira, Vespeira, Júlio Pomar, Fernando Lemos, Querubim Lapa, Lima de Freitas, João Abel Manta e Eduardo Luís; e na escultura, Francisco Franco, Canto da Maia, Barata Feyo, Martins Correia, António Duarte, Vasco Pereira da Conceição, Jorge Vieira, Lagoa Henriques e Fernando Fernandes. Foi um resultado de ouro, perdurável tal o bronze, como se veria mais tarde.

Pintor Lima de FreitasGeraram-se naturais querelas entre várias escolas ou correntes estéticas, uns clamavam que era preciso escolher "caminhos mais fecundos que a abstração ou o delírio inconsequente dos surrealistas", retratando as lutas e aspirações do mundo, a pobreza franciscana, e a dor dos fracos e dos vencidos. Outros queriam empurrar "para longe os rodorguinhos, as abóboras e as cebolas..., os retratos caros de mulheres caras e bonitas". Anatemizavam-se os "cultores de um cosmopolitismo artístico supranacional e, portanto, Técnica mista de Cesarinysem raízes na vida, aplaudindo aqueles que procuram mergulhar na vida que os cerca, nos problemas do seu tempo, nos conflitos objectivos e concretos do seu tempo".

É evidente que grande parte da alta burguesia, os que tinham dinheiro para adquirir obras de arte estavam, nessa época, com o Regime e isso significa que, ou adquiriam arte antiga (ou nenhuma) ou andavam nas águas dos naturalistas e muito raros se atreviam a conviver com a então chamada arte moderna. Picasso era, nesses anos cinquenta e sessenta, ainda, em Portugal, motivo de troça e poucos se atreviam a exibir em suas casas essas " deformidades".

Sentado á direita, Henry Michaux - Julho de 1973Destinguiam-se, nesse combativo período dos finais de 50, a 14ª Exposição de Arte Moderna, do SNI, o trabalho da SNBA, da Casa Jalco, das Galerias de Março, Alvarez, Pórtico, "Diário de Notícias" e Casa da Imprensa, a par do que se organizou na Faculdade de Ciências. Em 1947 Mário Cesariny havia apresentado "O Operário", excepcional trabalho a que alguns Manuela Eanes e Julio - 82desdenhosamente chamavam "o aranhiço" ou 2a borboleta", num desesperado apego às normas e semelhanças realistas, Em 1953, Cruzeiro Seixas, que se radicara em Angola, apresenta obras suas em Luanda e a exposiçãogera um tremendo escândalo. Para muitos era modernismo a mais!


<< 1 2 3 4 >>



© Galeria São Mamede, todos os direitos reservados