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É
imperioso e da mais elementar justiça assinalar o surgimento da
Fundação Calouste Gulbenkian, em 1956, graças aos
inteligentes e demodados esforços do Dr. José de Azeredo
Perdigão, junto do doador. A essa instituição se
deve, nos mais variados domínios, um notável trabalho, sendo
de salientar aqui o que respeita às belas-artes, com a fundação
do primeiro Museu de Arte Moderna em Portugal e as múltiplas exposições
e apoios aos artistas plásticos. O Dr. Azeredo Perdigão
foi, paradoxalmente, obrigado a travar uma renhida luta para levar por
diante o seu projecto de criação daquele museu, a cuja criação
se levantaram as
mais ferozes oposições. Com a colecção Gulbenkian,
a biblioteca especializada e outros serviços de apoio deu-se um
definitivo impulso na afirmação deste sector da cultura
portuguesa.
Foi
neste quadro que surgiu a São Mamede e que Francisco Pereira Coutinho,
nesse começo da década de sessenta, ousou investir capitais
próprios numa empresa que, visando a exposição e
comercialização de pintura e escultura de vanguarda, parecia
condenada ao insucesso, pela não existência de mercado. O
maior feito que se lhe deve, nestas últimas quatro décadas,
foi o de, pacientemente, ter imposto, ter tornado moda e quase vício
a posse de obras dos pintores que haviam deixado para trás os canones
do naturalismo.
A
São Mamede conseguiu tornar-se ponto de encontro da elite do dinheiro
e do espírito, antes e depois do 25 de abril, reunida ao redor
de representativos artistas plásticos, proporcionando a formação
de largas dezenas de colecções privadas de arte moderna
e possibilitando aos artistas ganhos que lhes permitiram viver melhor
no seu próprio país e, a alguns, afirmarem-se nos mercados
estrangeiros. A São Mamede foi muito criticada por patrocinar e
incutir entre nós esta noção de mercado mas, hoje,
as cotações de "bolsa" para estes valores e os
preços atingidos em leilões demonstram que o País
não podia ter ficado fora deste conceito e prática internacional.
Muitos galgaram fronteiras (não é preciso citar nomes) e
muitos outros se esforçam por consegui-lo.
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