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Transformar
uma empresa privada num verdadeiro centro Cultural, onde se realizaram
concertos, projecções de filmes, conferências, edições
de obras literárias ou de carácter plástico, se popularizaram
os originais, já de preços altos, através de serigrafias
acessíveis às bolsas comuns, manter as portas abertas a
estudantes a ao público amante
das belas-artes, para assim conviverem com as mais variadas expressões
de arte não foi obra de somenos realizada na São Mamede.
Não me escuso a dizê-lo, neste depoimento, porque segui a
par e passo este trabalho e sei quanto ele foi árduo.
Mas
não vale, talvez, a pena enfatizar este exemplo português,
se nos lembrarmos que, por exemplo em França, a família
de François Miterrand criou um verdadeiro império de Galerias
de Arte, que prevaleceram para além da morte do Presidente da República
Francesa, continuando na posse da família.
No
nosso país, deve dizer-se em abono da verdade, outros "marchands"
seguiram este trilho. Francisco Pereiro Coutinho distinguiu-se pelo requinte
de ter escolhido para sua galeria um recinto de velhas salas pombalinas,
dotando-a com o mais moderno equipamento e pessoal e afirmando um apurado
gosto no grafismo das edições de livros e catálogos,
pela criação sempre certa de molduras
capazes de realçar o carácter pictórico de cada obra
e pela sua acertada exposição e iluminação,
sempre amparado nos artífices das melhores oficinas, assim criando
a inconfundível marca de um artista, ele próprio mestre
no seu ofício.
Chegou,
no entanto, a hora do seu afastamento por ele próprio decidido,
entregando a seu filho, também Francisco, e a dois amigos, o encargo
de prosseguir a sua obra, numa feliz sequência de duas gerações.
Luis
d'Oliveira Nunes, Fevereiro de 2002
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