A Festa do Costume

Carlos Carreiro

A Festa do Costume

26 março - 21 abril 2026 | Lisboa - Politécnica

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A Festa do Costume

March 26th - April 21st

Vou fazer 80 anos no proximo mês de Julho, ando a participar em exposições de pintura colectivas e individuais há 59 anos. E parece-me que sempre tive uma tendência para o Surrealismo, ou pelo menos para o delírio. 

O Surrealismo não tem tempo, nem moda, é uma expressão inata ao ser humano, que conseguiu apagar a fronteira entre o sonho e a realidade, o consciente e o inconsciente, é um exercício a jogar com o paradoxo das aproximações insólitas, que vão além do racional. 

O Surrealismo é um símbolo da união dos contrários e identidade dos opostos: os sonhos, o nonsense e o automatismo são ferramentas recorrentes.

Nesta exposição que apresento, trouxe quadros de 2015 a 2026, é a minha festa do costume. Preocupo-me sempre que o espaço de cada obra não se organize em função de uma lógica narrativa viável, haverá um jogo de simultaneidades de tempo e espaço, formulação de planos em ritmos alucinantes, os quadros não têm um centro único, mas vários pontos de fuga. A “Alice no país das maravilhas” ensinou-me a ver para além do espelho e a atravessar o espaço do quadro pelas portas que levam a realidades diferentes, não há respeito pelas hierarquias, nem pela convenção das proporções entre figuras e objectos. 

Como processo de elaboração dos quadros, trabalho a bem dizer a partir da colagem. Eu sou como um parasita de imagens que guarda em albuns milhentas recolhas de fotos e gravuras que me interessam, para num exercício visionário posterior, construir outra realidade numa sucessão alucinante de imagens contraditórias.

Ao descer as escadas azuis do meu atelier, escorreguei em duas focas que estavam a ler “A filosofia na Alcova” do Marquês de Sade, sentadas em pudins gelatinosos que transparecem no interior um claustro com colunas em feitio de tubos de tinta, sempre a derramar cores para cima da relva, cheia de livros sem letras, próprios para ignorantes atrevidos e que se gabam dos brasões das famílias decadentes. 

Dentro de casa, havia móveis cheios de gavetas partidas pelos dragões de plástico, que devoram os automóveis dos campistas vencedores do primeiro prémio no concurso de culinária “Alheiras e Caracóis II”. Uma zebra, com sapatos vermelhos de tacão alto, trouxe a Barbie para lhe ensinar um ponto de crochet resistente a tempestades.

Duas bengalas douradas têm pernas para andar no teclado de piano onde vivem ricas alfaces cantoras de “lied”, só em noites de trovoada, ou quando passa a caravela do Vasco da Gama, que me leva para outra realidade mais plausível.

Carlos Carreiro, Fevereiro de 2026. 

A Festa do Costume
A Festa do Costume
A Festa do Costume
A Festa do Costume
A Festa do Costume
A Festa do Costume
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A Festa do Costume

Eu sou como um parasita de imagens que guarda em álbuns milhentas recolhas de fotos e gravuras que me interessam, para num exercício visionário posterior, construir outra realidade numa sucessão alucinante de imagens contraditórias.

Obras de arte

Biografia

Carlos Carreiro
Carlos Carreiro

Nasceu em 1946 em Ponta Delgada.

É professor associado aposentado da Faculdade de Belas Artes do Porto, em 1976 formou o grupo Puzzle com Graça Morais, Jaime Silva, Dario Alves, Albuquerque Mendes, Fernando Pinto Coelho, Pedro Rocha, João Dixo e Armando Azevedo.

Realizou mais de 75 exposições individuais sendo Ultimas exposições individuais: “Portugal obviamente” Sala Maior, Porto, Setembro 2005. “S. Miguel obviamente” Galeria do Centro Municipal da Cultura de Ponta Delgada, Dezembro 2005. Exposição Antológica nos Museus das Flores e da Graciosa, Verão de 2006. Exposição individual na Galeria Carmina, Angra do Heroísmo, 2007, “Ponta Delgada obviamente” Galeria do Centro Municipal da Cultura de Ponta Delgada, Setembro de 2009. “Consumo, candidatos e promessas” Galeria São Mamede, Porto, Janeiro de 2010 e Lisboa, Abril de 2010. "Carlos Carreiro na colecção de Carlos Carreiro", na Galeria Municipal de Matosinhos, 2011. Galeria Mendo em 2021. Galeria Serpente, em 2024. Galeria Romanti Cultura em Ponta Delgada, 2025; “Quando a cor entrou na familia” na Fundação Gramaxo de Setembro 2025 a Março de 2026.

Participou em Portugal e no estrangeiro em mais de 300 exposições colectivas: “Arte Portuguesa”, Lunds Konstall, Lund, Suécia, 1976. “História Trágico Marítima”, SNBA, Lisboa, 1983. “O futuro é já hoje?” George Orwell, Fundação Calouste Gulbenkian. “Kunsan International Show - Coreia do Sul”, 1993. “Os Biombos Portugueses” em 1993, organizado pela Comissão Nacional dos Descobrimentos com itinerância por: Lisboa, Porto, Tokyo, Montevideu, Toronto, Buenos Aires, Rabat e Luanda. Participou em 2009 com o grupo Puzzle na exposição “Anos 70, atravessar fronteiras” no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 2010, “Grupo Puzzle, Pintura colectiva = Pintura individual”, (Antológica 1976-1981), CAE, Figueira da Foz. Em 2024, “Pré pós declinações visuais do 25 de Abril”, no Museu de Serralves. E “Centro de Arte Contemporânea, 50 anos - a democratização vivida” no Museu Nacional de Soares dos Reis.

Feiras de Arte: Arco, 98, Galeria Fernando Santos e ART/COLOGNE 01 Galeria Sala Maior. Na 6ª e 7ª Mostra Union Fenosa” na Corunha. “Porto 60/70, Os Artistas e a cidade”, no Museu de Serralves” 2001.

Prémios: Ao longo da sua carreira recebeu 15 prémios de pintura e menções honrosas em que se destacam em 1984: I Exposição de Arte Banco do Fomento Nacional, Prémio de Pintura Verbo Postal, o futuro é já hoje? C.A.M da F. Gulbenkian. Prémio de presença. Em 1996 Prémio Nacional de Pintura da 2ª Bienal de Artes Plásticas da AIP. Prémio BMW, Art, Car, Bienal de Cerveira, Agosto de 1997, em 10 de Junho de 2006 o Presidente da Republica atribuiu-lhe a Condecoração de Grande Oficial da Ordem de Mérito.

Entre 1991 e 1992, a Direcção Regional de Cultura do Governo Regional dos Açores, organizou três exposições retrospectivas, em Ponta Delgada (Museu Carlos Machado), Angra do Heroísmo (Palácio dos Capitães Generais) e Horta (Sociedade Amor da Pátria). Repetidas em Casa das Artes, Porto e Centro de Arte de São João da Madeira e Galeria Municipal de Aveiro.

Em 1990 executou o políptico e tapeçaria para a Sala do Plenário na Assembleia Legislativa na Horta. Em 2003, realiza um painel de cerâmica na Central Elétrica da EDA na Ribeira Grande.

Colecções: Está representado em inúmeras colecções privadas, integra várias colecções institucionais, Fundação Calouste Gulbenkian, Museu Municipal Amadeu de Souza Cardoso, Museu de Serralves, Museu Carlos Machado, Museu de Angra do Heroísmo, Museu Södertälje, Lund, Suécia. Vários organismos do Governo Regional dos Açores, Câmaras Municipais de Ponta Delgada, Ribeira Grande e Nordeste, Colecção Norlinda e José Lima, colecção Millenium BCP, Colecção Novo Banco, Colecção BPI, Fundação Cupertino Miranda, etc.

Foi o curador de várias exposições: "Pintura Moderna Soviética”, na Galeria da Praça, Porto, 1990. “Artistas Açoreanos” na Casa das Artes, Porto, 1991. ESBAP/FBAUP, 215 anos de Belas Artes no Porto. No Museu dos Transportes, Alfândega do Porto, 1995.