Júlio

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(1902 - 1983)

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Júlio, nome artístico de Júlio Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde, em 1902, e faleceu na mesma cidade, em 1983. Licenciou-se em Engenharia Civil pela Universidade do Porto e frequentou, durante dois anos, a Escola de Belas-Artes do Porto. Na literatura, adotou o pseudónimo Saúl Dias.

Figura da segunda geração do modernismo português, desenvolveu uma obra de expressão lírica, em que a observação da vida urbana se cruza com a caricatura e o imaginário onírico. A partir de 1935, privilegiou o desenho, explorando as possibilidades da linha e da tinta da China numa produção marcada pela liberdade do traço e pela transformação das figuras. Alguns dos seus desenhos desta década antecipam experiências que viriam a caracterizar o surrealismo português.

A proximidade entre criação plástica e literatura atravessa o seu percurso. Colaborou na revista "presença" desde o primeiro número, em 1927, até à sua extinção, em 1940, e ilustrou livros do irmão José Régio, incluindo a capa de "Poemas de Deus e do Diabo". Como Saúl Dias, publicou vários livros de poesia, reunidos em "Obra Poética", distinguida com o Prémio da Crítica em 1980.

Participou no Salão dos Independentes, em 1930, e realizou a primeira exposição individual na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, em 1935. Expôs na II Bienal de São Paulo, em 1953. Entre 1979 e 1980, uma importante retrospetiva percorreu Vila do Conde, o Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, e a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Manteve uma relação continuada com a Galeria São Mamede, onde apresentou, em 1970, pinturas realizadas entre 1923 e 1935. Seguiram-se a retrospetiva "50 Anos de Desenho", em 1973, exposições de aguarelas e desenhos e, em 1983, uma seleção de trinta desenhos da série "Poeta". A galeria continuou a divulgar a sua obra após a sua morte, através de várias exposições antológicas.

A sua pintura foi também tema de "As Pinturas do Meu Irmão Júlio", realizado por Manoel de Oliveira em 1965, com apresentação de José Régio e música de Carlos Paredes.

A sua obra integra, entre outras, as coleções do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação Cupertino de Miranda. Em Vila do Conde, a Galeria Julio e o Centro de Estudos Julio/Saúl Dias, criados em 2015, dedicam-se à conservação, investigação e divulgação do seu legado artístico e literário.

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