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Year
1970
Size
54 x 73 cm
Size with frame
68 x 87 cm
Technique
Oil on canvas
Content
Datada de 1970, esta vista de Lisboa integrou a exposição de óleos de Carlos Botelho apresentada na Galeria São Mamede em junho de 1972. A galeria tinha então apenas quatro anos, e o catálogo dessa mostra é hoje um documento precioso dos primeiros tempos da sua atividade.
Por cima dos ramos despidos das árvores, o olhar percorre uma sucessão de fachadas claras e telhados de diferentes alturas. Entre os prédios, descobrem-se uma palmeira, a cruz de uma igreja, pequenas varandas. Os rosas e amarelos alternam com verdes suaves, numa cidade construída por aproximações de cor e pela sobreposição das casas. Ao fundo, o Tejo abre um intervalo luminoso até à margem oposta, cujo relevo quase se confunde com o céu.
Fernando Namora encontrou para a Lisboa de Botelho a imagem de “um presépio róseo em que o objecto de adoração é o rio”. Falou também do “casario trepando e descendo na sua reverência ao rio-deus”, uma descrição que parece acompanhar o movimento desta composição. A vista é ampla, mas conserva uma escala íntima: demoramo-nos numa janela, seguimos a inclinação de um telhado e imaginamos os percursos por entre aqueles edifícios.
Cinquenta e quatro anos depois, esta pintura regressa à galeria que a apresentou, ligando a Lisboa que Botelho pintou à história de uma casa que continua a fazer parte da cidade.