Raízes da Matéria

Vítor Ribeiro

Raízes da Matéria

17 September - 19 October 2026 | Lisboa - Politécnica

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Raízes da Matéria

Há pedras que parecem ter sido esperadas durante milénios até que uma mão as reconhecesse. É esse o gesto que atravessa a obra de Vítor Ribeiro: mármore, travertino, lioz e brecha, trabalhados até revelarem, por baixo da dureza mineral, formas que respiram como corpo vivo — troncos que se ramificam, ninhos que se enrolam sobre si próprios, montanhas que guardam a memória da erosão. O escultor não impõe a forma à pedra: escuta-a! Deixa que a firmeza, o poro e a veia do material sugiram o caminho do desbaste.

Nesta exposição, a árvore surge como motivo recorrente — não como representação literal, mas como estrutura de pensamento. Os troncos emolduram-se a si mesmos, as raízes entrelaçam-se em nós que resistem à leitura de cima para baixo, e cada obra parece crescer para fora do bloco original, como se a pedra ainda estivesse a decidir os seus próprios limites. A sua obra trabalha por adição de vazio: o que é retirado importa tanto quanto o que permanece.

Ao lado das formas arbóreas, o “Ninho” e as peças de superfície porosa aproximam o olhar de uma escala geológica e microscópica em simultâneo; texturas que lembram travertino em bruto, favos, ou a casca de um fruto seco, convocando associações com o trabalho de escultores que, como Medardo Rosso, procuraram capturar o instante de transformação da matéria antes que ela se fixe numa forma definitiva. Há nestas peças uma tensão entre o polido e o áspero, entre a pele lisa da pedra trabalhada e a crosta original deixada intacta, que testemunha o processo da escultura e a origem do material.

A "Densidade" e a "Transição", títulos que o próprio artista escolhe com precisão — apontam para o cerne desta pesquisa: como pode a pedra, símbolo maior de permanência, expressar o movimento, a passagem e o crescimento? Vítor Ribeiro responde com formas que parecem estar sempre a meio de um gesto; um braço que se estica, uma raiz que se desenrola, uma montanha que ainda respira. O visitante é convidado a rodear cada peça porque nenhuma se revela por inteiro num único ponto de vista.

Mais do que obras de arte, estas esculturas são guardiãs de memórias, de tempo geológico e de um diálogo silencioso entre o artista e a pedra. Diálogo que, por vezes, dura anos. Esta exposição propõe um momento de pausa diante dessa paciência e é um convite a olhar cada escultura não como algo inerte, mas como algo que ainda está a acontecer.

Álvaro Silva, 2026



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Artworks

Bio

Vítor Ribeiro
Vítor Ribeiro

Vítor Ribeiro was born in Porto in 1957. He attended the drawing, painting and sculpture studios at Ar.Co in Lisbon, where he completed his training in Sculpture in 1985. He has worked regularly as an artist ever since, and currently lives and works in Mafra.

He has held solo exhibitions since 1985. Among the most recent are Árvores Improváveis, at Galeria São Mamede, Lisbon (2019); Florestas Brancas, at Galeria do Espírito Santo, Loulé (2018), and at Galeria São Mamede, Porto (2016); É de Pau É de Pedra, with Álvaro de La Vega, at the library of the Faculdade de Ciências e Tecnologia of the Universidade Nova de Lisboa (2018); Lugar de Silêncios, at the Mosteiro da Batalha (2016); A Brincar com o Fogo, at Galeria São Mamede, Lisbon (2015); Por Dentro, Por Fora, with Rui Matos, at the Galeria Municipal de Matosinhos (2013); Através do Tempo, at Casa da Cerca, Almada (2008); Das Margens, at Galeria São Mamede, Lisbon (2008); A Minha Casa é uma Árvore, at Cooperativa Árvore, Porto (2003); and Metábole, also at Cooperativa Árvore (1999).

He has taken part regularly in group exhibitions since 1981. Among the most significant are Une Perspective Portugaise de l’Art Contemporain, at the Maison de l’UNESCO, Paris (2000); exhibitions at Galeria São Mamede, Lisbon and Porto; Objetos de Memória, with Rui Matos and Mathias Contzen, at Galeria São Mamede, Lisbon (2004); Três Escultores, at the Museu Alberto Sampaio, Guimarães (2012); Déjeuner sur l’Herbe, at the Universidade Nova de Lisboa (2014); and Cinco Escultores, at the Galeria de Arte do Convento do Espírito Santo, Loulé (2020).

Over the course of his career he has taken part in various sculpture symposia in Portugal and abroad, including the XXVIII International Stone Sculpture Symposium in Iwate, Japan (1991), as well as gatherings held in Porto, Pêro Pinheiro, Aveiro, Alfândega da Fé, Vila Pouca de Aguiar, Penafiel, Braga, Vila Nova de Gaia, Matosinhos and Grândola.

His work forms part of public and private collections in Portugal and abroad. He is represented, among other institutions, in the Comissão de Coordenação da Região Norte, the Fundação Mário Soares, the Presidency of the Republic of Uruguay, Iwate Park (Japan), the Universidade Nova de Lisboa, the Centro de Arte Manuel de Brito (CAMB) and the PLMJ Collection, as well as in several Portuguese municipal councils.

In 1999 he received the 1st Prize of the Association Internationale des Arts Plastiques / UNESCO.